Flávia Ostapiv, engenheira
agrônoma e
mestranda pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.
O rio
Chopim é afluente da margem esquerda do rio Iguaçu. Suas nascentes
estão localizadas em altitudes que superam os 1.200 m, na região de
Palmas, e sua extensão total é da ordem de 450 km. O rio atravessa
diversos municípios sendo um dos mais importantes rios do sudoeste
do Paraná. Pode-se vislumbrar diversas paisagens magníficas ao
longo de seu curso, fazendo com que diversos pontos do rio sejam
utilizados para o lazer e a pesca, como por exemplo os recantos do
Carleto e do Ruzza, nosso velhos conhecidos. A mata no seu entorno
possui grande diversidade biológica, com diversas espécies de
plantas e animais, muitas delas endêmicas, ou seja, só encontradas
nesta região.
Mas o nosso
querido Chopim está exposto à diversas ameaças, que vão desde a
poluição das águas por lixo, esgoto doméstico e resíduos de
pesticidas e fertilizantes até a degradação da sua mata ciliar,
que protege o rio do assoreamento, além de prestar outros serviços
ambientais, como servir de corredor ecológico para diversas
espécies.

A possibilidade de instalação
de duas usinas hidrelétricas também deve ser levada em
consideração, pois empreendimentos deste porte alteram o
ecossistema local, além de afetar diretamente diversas famílias que
vivem no entorno do rio. A hidrelétrica de São João, que prevê a
geração de 65 megawats de energia por hora, ficaria localizada a 33
quilômetros da sede do município de Clevelândia, nas comunidades
de Paiol Grande e São João, onde moram aproximadamente 82 famílias.
A segunda usina seria instalada nas comunidades de Navegantes e
Serrano Baixo, com previsão para produzir 45 megawats de energia por
hora. A localidade fica a 43 quilômetros de Clevelândia. Cerca de
53 famílias moram ali. A inundação atingiria uma área de lazer,
que é importante para o turismo local.
Como podemos ver, se as
atividades humanas no entorno do rio continuarem sendo em prol da
degradação e não da preservação do meio ambiente, logo, logo o
cenário que veremos não será de um belo rio em que podemos nos
banhar e pescar, e sim um curso d’ água poluído, com seus
ecossistemas alterados pelas barragens e pela destruição das matas,
com possíveis perdas de biodiversidade, além dos impactos sociais e
econômicos sobre as famílias que terão suas terras afetadas pelas
usinas.
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Espécie de bromélia endêmica da região. Com o impacto ambiental a partir da construção das usinas na localidade essa será mais uma espécie ameaçada de extinção. |
Nós, como cidadãos conscientes,
além de apaixonados pelas belezas naturais do nosso sudoeste, temos
o dever de não somente não jogar lixo no rio, mas também colocar
as questões ambientais referentes ao Rio Chopim como pauta constante
de nossas conversas, discutindo, divulgando informações e
principalmente conscientizando outras pessoas e buscando soluções
para que possamos reduzir ao máximo nossos impactos sobre as áreas
naturais, e assim, possibilitar também para as futuras gerações um
rio limpo, com matas ciliares recuperadas e com uma diversidade
biológica rica. Contamos com todos!!!!!!