domingo, 28 de outubro de 2012

Rio Chopim: O grito de alerta das águas!




Flávia Ostapiv, engenheira agrônoma e 
mestranda pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.


O rio Chopim é afluente da margem esquerda do rio Iguaçu. Suas nascentes estão localizadas em altitudes que superam os 1.200 m, na região de Palmas, e sua extensão total é da ordem de 450 km. O rio atravessa diversos municípios sendo um dos mais importantes rios do sudoeste do Paraná. Pode-se vislumbrar diversas paisagens magníficas ao longo de seu curso, fazendo com que diversos pontos do rio sejam utilizados para o lazer e a pesca, como por exemplo os recantos do Carleto e do Ruzza, nosso velhos conhecidos. A mata no seu entorno possui grande diversidade biológica, com diversas espécies de plantas e animais, muitas delas endêmicas, ou seja, só encontradas nesta região.
Mas o nosso querido Chopim está exposto à diversas ameaças, que vão desde a poluição das águas por lixo, esgoto doméstico e resíduos de pesticidas e fertilizantes até a degradação da sua mata ciliar, que protege o rio do assoreamento, além de prestar outros serviços ambientais, como servir de corredor ecológico para diversas espécies.
A possibilidade de instalação de duas usinas hidrelétricas também deve ser levada em consideração, pois empreendimentos deste porte alteram o ecossistema local, além de afetar diretamente diversas famílias que vivem no entorno do rio. A hidrelétrica de São João, que prevê a geração de 65 megawats de energia por hora, ficaria localizada a 33 quilômetros da sede do município de Clevelândia, nas comunidades de Paiol Grande e São João, onde moram aproximadamente 82 famílias. A segunda usina seria instalada nas comunidades de Navegantes e Serrano Baixo, com previsão para produzir 45 megawats de energia por hora. A localidade fica a 43 quilômetros de Clevelândia. Cerca de 53 famílias moram ali. A inundação atingiria uma área de lazer, que é importante para o turismo local.
Como podemos ver, se as atividades humanas no entorno do rio continuarem sendo em prol da degradação e não da preservação do meio ambiente, logo, logo o cenário que veremos não será de um belo rio em que podemos nos banhar e pescar, e sim um curso d’ água poluído, com seus ecossistemas alterados pelas barragens e pela destruição das matas, com possíveis perdas de biodiversidade, além dos impactos sociais e econômicos sobre as famílias que terão suas terras afetadas pelas usinas.
Espécie de bromélia endêmica da região.
Com o impacto ambiental a partir da construção das usinas na
localidade essa será mais uma espécie ameaçada
de extinção.
Nós, como cidadãos conscientes, além de apaixonados pelas belezas naturais do nosso sudoeste, temos o dever de não somente não jogar lixo no rio, mas também colocar as questões ambientais referentes ao Rio Chopim como pauta constante de nossas conversas, discutindo, divulgando informações e principalmente conscientizando outras pessoas e buscando soluções para que possamos reduzir ao máximo nossos impactos sobre as áreas naturais, e assim, possibilitar também para as futuras gerações um rio limpo, com matas ciliares recuperadas e com uma diversidade biológica rica. Contamos com todos!!!!!!